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Artigos: Aspectos relacionados à segurança alimentar do leite
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Autor: Clóves Cabreira Jobim & Éder Paulo Fagan

Fonte: IEPEC
O leite é um alimento altamente nutritivo e de fácil assimilação. Ele é fonte de proteínas essenciais, energia, cálcio e fósforo auxiliando o crescimento e o desenvolvimento das crianças, e a sustentação dos adultos. Uma dieta balanceada, com alimentos ricos e nutritivos, como o leite, pode fornecer os nutrientes necessários para uma vida saudável.

A legislação federal classifica o leite pasteurizado em três tipos: A, B e C. Esta divisão refere-se principalmente a qualidade microbiológica, bem como a higiene de produção, a sanidade do rebanho, o modo de transporte e de armazenamento e o local de pasteurização.

O leite tipo A é produzido somente em granjas leiteiras e conforme o regulamento de Inspeção e Industria de Produtos de Origem Animal – RIISPOA do Ministério da Agricultura, estas granjas são estabelecimentos destinados à produção, pasteurização e envase deste tipo de leite destinado ao consumo humano (Plano 1).

Fonte: IEPEC

A demanda por produtos lácteos com melhores características sensoriais e nutritivas, maior vida de prateleira e inocuidade são requisitos cada vez mais importantes para o consumidor.

A Instrução Normativa N051, editada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento –MAPA, estabeleceu novas normas de produção e processamento de leite, qualquer que seja o tipo, visando assegurar a melhor qualidade do leite no Brasil. Além disso, o sistema de pagamento por qualidade implantado por algumas indústrias lácteas brasileiras também demonstrou ser um importante instrumento na melhoria da qualidade.

Atualmente, a presença principalmente de resíduos de antibióticos, pesticidas e micotoxinas, além das altas contaminações microbianas no leite, tem sido uma das maiores preocupações da comunidade científica em função do risco para a saúde do consumidor. 

Desta forma, as medidas de qualidade implantadas conjuntamente no setor leiteiro pelos produtores, indústria láctea e órgãos de fiscalizações governamentais visam principalmente fornecer produtos lácteos com maior segurança. Porém, é necessário que se regulamente medidas mais enérgicas em relação à inocuidade dos resíduos de aflatoxinas e inseticidas, assegurando assim, alimentos mais saudáveis e seguros aos consumidores.

Fonte: IEPEC
O estudo desenvolvido no Departamento de Zootecnia da Universidade Estadual de Maringá –UEM, verificou-se que, a produção e composição do leite das duas granjas leiteiras produtoras de leite tipo A sofreram variações significativas em função das fases de lactação, da qualidade e composição da dieta volumosa e concentrada fornecida aos animais e em relação aos fatores ambientais das diferentes estações do ano.

No tocante à qualidade físico-química e microbiológica do leite nas duas granjas leiteiras analisadas, verificou-se que as estações do ano e as fases de lactação não mostraram efeitos significativos No entanto, as contagens principalmente de bactérias podem apresentar variações em função das estações do ano, independente do nível de tecnologia na produção de leite.

Também se estudou a ocorrência de aflatoxinas e de resíduos pesticidas (organofosforado e Carbamato) na dieta fornecida para vacas leiteiras e seus metabólitos no leite “in natura” e pasteurizado. Verificou-se, que das sete amostras positivas para aflatoxinas totais, quatro (57,14%) ultrapassaram o limite de 50 µg/kg estabelecido para o consumo animal, conforme determina a ANVISA. No leite “in natura” e pasteurizado, o outono e o verão foram as estações que apresentaram as maiores concentrações de AFM1, com valores respectivos de 0,812 e 0,427 µg/L (Tabela 1).

Fonte: IEPEC

Os resíduos de organofosforado e carbamato no leite estão associados principalmente aos contaminantes contidos na alimentação e ao período de carência dos parasitadas. As maiores concentrações no verão, foram provavelmente em razão da maior utilização destes inseticidas para controle de parasitas.

Fonte: IEPEC
Em relação à presença de aflatoxina M1 no leite, observou-se que 34,37% das amostras analisadas apresentaram contaminação. Sendo que, 12,5% destas amostras de leite contaminadas, estavam acima do limite máximo de 0,5 µg/L estabelecido pela ANVISA. Foi verificado também que após a pasteurização não houve redução de AFM1 no leite, em relação às amostras de leite cru. Logo, a ingestão do leite e de produtos lácteos contaminados acima do limite preconizado pela ANVISA, por tempo prolongado, pode ocasionar o aparecimento de efeitos crônicos, especialmente o seqüelas carcinogênicas, demonstrando que as  aflatoxinas representa um sério risco para a saúde humana.

Por fim, torna-se necessário a implantação de um sistema mais rigoroso de monitoramento para que sejam atendidos os limites máximos de resíduos estabelecidos por órgãos de fiscalização. Este procedimento é fundamental para prevenção e a manutenção da inocuidade dos produtos lácteos consumidos pela população.
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Comentários
2 Adrian em 10/01/10 - 22:44 Citar
É um alerta que deve ser encarado com mais seriedade por todo segmento produtivo, consumidores e governo. Mas fica a dúvida, como eu posso obter informações do leite que eu consumo?
- 1 Adrian em 10/01/10 - 22:43 Citar
É um alerta que deve ser encarado com mais seriedade por todo segmento produtivo, consumidores e governo. Mas fica a dúvida, como eu posso obter informações do leite que eu consumo?
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