Gado leiteiro - Compostos nitrogenados na dieta de vacas leiteiras e seus efeitos na reprodução (Parte 1)
Artigos: Compostos nitrogenados na dieta de vacas leiteiras e seus efeitos na reprodução (Parte 1)
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Autor: RIBEIRO; DELEVATTI; BERALDO; AZEVEDO; BEZERRA.

COMPOSTOS NITROGENADOS NA DIETA DE VACAS LEITEIRAS DE ALTA PRODUÇÃO E SEUS EFEITOS NA REPRODUÇÃO (PARTE 1)

RIBEIRO JUNIOR, C. S. 1; DELEVATTI, L. M. 2; BERALDO, Y. P. 3; AZEVEDO, R. A. 4; BEZERRA, V. M. 5.

1 Discente do programa de pós-graduação em zootecnia - Unesp/FCAV- Jaboticabal. E-mail: carlosstefenson@yahoo.com.br
2 Discente da Graduação em zootecnia – Unesp/FCAV- Jaboticabal.
3 Médico Veterinário – Bolsista de treinamento FAPESP.
4 Acadêmico do Curso de Zootecnia da Universidade Federal de Minas Gerais, Instituto de Ciências Agrárias.

RESUMO

Vacas leiteiras de alta produção são animais exigentes e necessitam de um correto balanceamento dietético, o excesso de compostos nitrogenados na dieta compromete o desempenho reprodutivo desses animais. A uréia é muito utilizada para reduzir os custos com a suplementação protéica, já que é um composto nitrogenado não-protéico bem utilizado para a produção de proteína microbiana no rúmen. Porém, quando utilizada de maneira incorreta, pode trazer muitos prejuízos para a atividade uterina do animal, diminuindo a fertilidade do rebanho e comprometendo os índices zootécnicos almejados. Objetiva-se com essa revisão, reunir trabalhos que discutem a influencia dos compostos nitrogenados na dieta de vacas leiteiras de alta produção.
Palavras-chave: Amônia. Compostos nitrogenados. Reprodução.

INTRODUÇÃO, JUSTIFICATIVA E OBJETIVO

O correto balanceamento protéico em dietas para vacas leiteiras tem a função de disponibilizar uma quantidade adequada de proteína degradada no rumem (PDR), maximizando a síntese de proteína microbiana, e otimizando o desempenho animal com baixas concentrações de proteína bruta dietéticas. Porém, em algumas situações, é necessária a adição de proteína não degradada no rumem (PNDR) nas dietas, para o fornecimento de aminoácidos no intestino delgado, essa situação é freqüente quando se trata de animais leiteiros de alta produção.

A influência da proteína na reprodução animal ainda requer muitos estudos, porém, sabe-se que tanto o seu excesso quanto sua deficiência (na forma de proteína degradável no rúmen – PDR – ou proteína não degradável no rúmen – PNDR) são prejudiciais à exploração leiteira, pois o excesso de PDR aumenta muito os níveis de nitrogênio no organismo, sendo este tóxico em quantidades que o fígado não consegue metabolizar, e sua falta também prejudica a síntese de proteínas do leite e outros compostos e tecidos, significando perdas para a exploração leiteira (CARNEIRO, 2006).

Conturbações mais sérias são observadas em vacas leiteiras de alta produção, esses animais ao parirem apresentam um consumo de matéria seca reduzido, em função dos distúrbios metabólicos e das mudanças fisiológicas que ocorrem nesse período, e acabam entrando em quadro de balanço energético negativo (BEN). No entanto, para tentar minimizar essa situação e tentar manter os níveis adequados de produção é necessário adensar a dieta desses animais.

Contudo, essa alternativa pode elevar o consumo de proteína além do requerido pelo animal, desequilibrando as quantidades de PDR e PNDR e de carboidratos solúveis, o que pode resultar no comprometimento da fertilidade desses animais.
O objetiva-se com esse trabalho, abordar assuntos recentes que discutem o efeito do excesso de compostos nitrogenados na fertilidade de vacas leiteiras, e discutir os problemas enfrentados no desempenho reprodutivo de rebanhos de vacas leiteiras de alta produção.

Uréia na alimentação de ruminantes

Devido as suas características morfofisiológicas do trato digestório e a presença de microrganismos no rumem, os ruminantes apresentam uma grande vantagem no aproveitamento de compostos nitrogenados não protéicos. Podemos citar a uréia como exemplo, sendo uma fonte de nitrogênio para a síntese de proteína microbiana.

A uréia (CO(NH2)2) é um composto orgânico sólido, altamente higroscópico, solúvel em água e álcool, de cor branca e sabor amargo, seu pH é 9,0 sendo classificada como amida, por isso é considerada um composto nitrogenado não-protéico (NNP). A uréia comercializada no Brasil contém 46,4% de N; 0,55% de Biureto; 0,008% de amina livre; 0,003% de cinza e 0,003% de ferro e chumbo (SANTOS et al., 2001). A uréia possui algumas características como: é deficiente em todos os minerais, não possui valor energético próprio, é extremamente solúvel e no rúmen é rapidamente convertida em amônia (MAYNARD et al., 1984).

Devido a essas características, a uréia na dieta de ruminantes pode representar uma alternativa para atender parte das exigências nutricionais de proteína, permitindo a substituição parcial dos concentrados protéicos nas rações para vacas em lactação e consequentemente, reduzir os custos de produção.

Entretanto, fatores como sua baixa aceitabilidade pelos animais (sabor amargo); a segregação quando misturadas a farelos (granulometria e peso); o risco de toxicidade e, principalmente, a tradição presente no meio rural de que a uréia, independentemente da quantidade e do modo de fornecimento, interfere negativamente na reprodução, limitam a sua utilização para um maior número de rebanhos.

Uma correta suplementação com NNP na dieta só contribuirá de maneira positiva, se esta disponibilizar a amônia necessária para as bactérias do rúmen. Oliveira Jr et al. (2004) destacam que por muitos anos a pesquisa tem estudado a liberação de amônia no rúmen, uma vez que a amônia é utilizada para a multiplicação dos microrganismos e estes dependem da disponibilidade de energia. O conceito de que a taxa de liberação de nitrogênio amôniacal deve coincidir com a taxa de digestão dos carboidratos é cada vez mais claro. Este fato tem levado a indústria a buscar o desenvolvimento de compostos de liberação mais lenta do NNP, como é o caso do biureto e da amiréia, os quais evitariam ou diminuiriam o risco de intoxicação (CURRIER et al., 2004)

A qualidade e quantidade de carboidratos que compõem a ração concentrada são de grande importância para a eficiência da utilização de uréia pelos microrganismos do rúmen. Por exemplo, é bem sabido que a adição de amido a ração que contém uréia promove melhor utilização desta em comparação com outra fonte de carboidrato.

A associação de uréia aos alimentos volumosos, em relação ao seu emprego junto aos concentrados, traz uma série de vantagens, entre estas, mascara o gosto desagradável da uréia propiciando o consumo mais uniformizado durante às 24 horas do dia pela ingestão mais lenta desse alimento, com isso não haverá a formação de picos de amônia no interior do rúmen, não só diminuindo o risco de intoxicação como também melhorando o aproveitamento do NNP (CURRIER et al., 2004). Os alimentos volumosos são ricos em fibras e liberam energia de forma lenta, o qual poderia diminuir o potencial do uso da uréia.

A uréia contém um equivalente de 282% de PB e quando ingerida, no rúmen é rapidamente hidrolisada a NH3 e CO2 pelos microrganismos ureolíticos. Segundo Koster et al. (2002) isso ocorre normalmente e é independente da suplementação com uréia na dieta, já que os ruminantes reciclam uréia pela saliva ou por difusão através da parede do rúmen via corrente sangüínea.

Com o uso da uréia na dieta, as concentrações de amônia no rúmen têm pico cerca de 1 a 2 horas após o consumo dos alimentos, o que é mais rápido do que quando ruminantes ingerem fontes de proteína verdadeira de alta degradabilidade ruminal (SANTOS, 2006).
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