Fonte:
IEPEC
A fim de fortalecer a Defesa Agropecuária, na última segunda-feira, em Brasília, a Sociedade Brasileira de Defesa Agropecuária (SBDA) foi criada. A idéia de uma SBDA se materializou através do Projeto Inovação Tecnológica para a Defesa Agropecuária e pretende zelar pelos interesses do agronegócio nacional.
Para conversar conosco sobre o assunto convidamos o Prof. Evaldo Ferreira Vilela, Ph.D, presidente da Sociedade Brasileira de Defesa Agropecuária.
IEPEC - Com que finalidade a Sociedade Brasileira de Defesa Agropecuária foi criada?
Evaldo Ferreira Vilela - Para dar ao Brasil uma maior e necessária
articulação entre os envolvidos com a Defesa Agropecuária. Empresários, pesquisadores, fiscais federais e estaduais, assim como as entidades precisam atuar em rede e a SBDA vem exatamente com este papel. Neste sentido, é grave a desarticulação na área, com apenas o MAPA e as agências dos Estados se esforçando para fazer o melhor. É preciso avançar para não atrapalhar os negócios. A SBDA nasce do Projeto Inovação Tecnológica para a Defesa Agropecuária – INOVBADEFESA, do CNPq/Fundo Setorial do Agronegocio-CTAgro exatamente para fortalecer o sistema brasileiro de Defesa Agropecuária, mais atuante nos interesses do agronegócio.
IEPEC - Quais são os objetivos ou metas da SBDA? Qual será o foco das atuações?
EFV - Os objetivos da SBDA são: (i) organizar as edições do seu evento maior, a Conferência Brasileira sobre Defesa Agropecuária-CNDA; (ii) editar a revista Brasileira de Defesa Agropecuária, em papel e on-line, de caráter técnico e científico, e (iii) manter a rede social RIT DA (Rede de Inovação Tecnológica para a Defesa Agropecuária). A III CBDA já foi assegurada para acontecer em 2012, na Bahia! Dando sequência ao sucesso obtido este ano em Belo Horizonte, promovendo ciência, tecnologia e inovação para as diferentes áreas da Defesa Agropecuária.
IEPEC - Ela atuará no quesito sanidade agropecuária? De que forma?
EFV - Sim, este é um tema central da atuação da SBDA, em todos os seus aspectos, incluindo insumos, trânsito de animais e vegetais e todos os outros. Vamos criar condições para que o conhecimento científico, tecnológico e as inovações cheguem a todos, garantindo maior qualidade e segurança aos alimentos e demais produtos agropecuários, tanto para o consumo interno como para a exportação, gerando riqueza e empregos.
IEPEC - A SBDA contará com a ajuda do governo?
EFV - Criada a partir do Projeto INOVADEFESA, financiado pelo CNPq/Fundo Setorial do Agronegócio, a Soc. Brasil. de Defesa Agropecuária deverá continuar recebendo o apoio do Ministério da Agricultura e Abastecimento - MAPA e dos órgãos de Defesa dos Estados, como o Instituto Mineiro de Agropecuária – IMA, além das agências de fomento, como recebe toda sociedade técnico-cientifica, para prestar, sem fins lucrativos, um trabalho estratégico para proteger os negócios. Lembrando, ainda, que seus dirigentes não são remunerados. Mas extremamente importante também é o apoio das empresas. Se elas não se envolverem, ajudarem a erguer e fortalecer a SBDA, a iniciativa perderá seu sentido maior e quem, no final, irá perder são os próprios empresários, pela oportunidade perdida de terem um importante canal permanente e forte de comunicação com as universidades, institutos, Embrapa, MAPA, IBAMA, ANVISA e os próprios consumidores.
IEPEC - Ela representará todos os estados do Brasil?
EFV - Todos sem exceção, o que é absolutamente fundamental, porque as demandas por saúde animal e sanidade vegetal acontecem em todo o território nacional, e por isto nossa Sociedade tem participação ampla, inclusiva. Claro que o papel das regiões onde acontece a produção e surgem as exigências do agronegócio é a base de tudo, exigindo ações locais com visão global.
IEPEC - Como será o contato entre o produtor agropecuário e a SBDA?
EFV - Por meio da rede social RIT DA (
www.inovafesa.ning.com) interativa, uma rede de cooperação na internet, todos podem colocar suas demandas de conhecimento e tecnologia, bem como disponibilizar informações e contatos nos mais diferentes tópicos da Defesa Agropecuária. Produtores já podem fazer perguntas e obter respostas dos profissionais do MAPA, de professores e pesquisadores renomados, estudantes de pós-graduação e fiscais agropecuários. Os produtores poderão participar, ou enviar pessoas para as Conferências Nacionais de Defesa Agropecuária, além de contar com a Revista Brasileira de Defesa Agropecuária, periódico que ira divulgar os maiores avanços técnicos e científicos de interesse da área. A SBDA irá atuar em rede com todas as cadeias, o que é muito importante para preencher uma grande lacuna existente hoje na articulação entre produtores, empresários e o MAPA e os órgãos estaduais. Com todos participando deste movimento da SBDA iremos resolver problemas, encontrar soluções e inovar mais rapidamente, com qualidade e quantidade compatíveis com o mundo globalizado.
IEPEC - Já existem planos de projetos a serem colocados em prática? Quais?
EFV - A III Conferência Nacional sobre Defesa Agropecuária na Bahia, em 2012, a Revista da Defesa Agropecuária que terá seu primeiro número em inicio de 2011, a ampliação da rede social RIT DA e também do Diretório de Tecnologias, por meio do qual o Brasil fica sabendo que tecnologias e conhecimentos as universidades e demais instituições de pesquisa, como a Embrapa, estão colocando a disposição do desenvolvendo da Defesa Agropecuária.
São muitas ações relevantes em andamento ou para daqui a pouco, como os Encontros de Inovação, na INOVATEC, de 6 a 9 de outubro de 2010, quando, com a ajuda o Sistema Mineiro de Inovação (
www.simi.org.br) produtores sentarão com pesquisadores, cientistas, para resolver com tecnologias seus problemas, conferindo-lhes maior competitividade no mercado.
IEPEC - Como serão os financiamentos dos projetos?
EFV - Pelas agências de fomento como CNPq, FINEP, BNDES e MCT/Fundos Setoriais e também pelas Fundações de Amparo à Pesquisa dos Estados – FAPs, em parcerias. Há recursos para projetos capazes de ampliar a competitividade do agronegócio e da agricultura brasileira, o que precisa é atuarmos cooperativamente em rede, com agilidade e competência. É preciso investir em inovação tecnológica para termos futuro. Ciência, Tecnologia e Inovação não é mais uma opção, é uma absoluta necessidade de sobrevivência do agronegócio brasileiro.