Gado leiteiro - Desempenho da raça Caracu na pecuária de corte e de leite
Entrevistas: Desempenho da raça Caracu na pecuária de corte e de leite
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Fonte: IEPEC

Fonte: Divulgação
Para atender aos e-mails que pediram mais informações sobre a raça Caracu o IEPEC com prazer entrevistou Licio Isfer, Presidente de fomento da ABCC, que irá passar mais informações sobre a raça Caracu na pecuária de corte e o criador Ernesto Stein Carvalho Dias, que irá falar sobre o desempenho da raça Caracu na pecuária leiteira.


Respondendo as perguntas Licio Isfer, Presidente de fomento da ABCC:


1. Qual o histórico da raça?

Presente no Brasil desde o período colonial, a raça Caracu é a raça européia mais adaptada às condições tropicais encontradas no Brasil. Com mais de quatro séculos de seleção, o Caracu hoje reúne qualidades importantes e cada vez mais procuradas no segmento do gado de corte, principalmente para o cruzamento industrial.

A partir de 1980 foi iniciada uma nova fase na seleção da raça com a utilização das mais modernas técnicas de seleção e melhoramento genético, comandada pela Associação Brasileira de Criadores de Caracu (ABCC). Sua importância na pecuária nacional mereceu atenção especial de grandes entidades do setor, como o Instituto de Zootecnia de Sertãozinho (IZ), Embrapa - Gado de Corte (Campo Grande/MS) e Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), que até hoje realizam estudos e pesquisas relacionados à raça. Em menos de 30 anos o Caracu apresentou uma acelerada evolução de seu desempenho, em vários aspectos, sempre mantendo intactas suas características de rusticidade.

A Raça Caracu, sem dúvida se filia ao tronco Aquitânico. Na sua formação entraram várias raças deste tronco, espanholas e portuguesas, mas também várias de outros troncos como: IBERICUS BATAVICUS (Raça Taurina) entre outros. E até gado Africano, pois sabe-se que a invasão dos mouros na Península Ibérica durou vários séculos.

A primeira entrada desses animais ocorreu em 1534 em São Vicente-SP. Foram criados durante vários séculos enfrentando todos os tipos de dificuldades como: alimentação, doenças, clima e parasitas. Esta pressão natural moldou os animais chamados crioulos (nativos), destes foram separados os de pêlo amarelo e formada a Raça Caracu.

2. Como Surgiu a Associação Brasileira dos Criadores de Caracu?

A Associação Brasileira de Criadores de Caracu (ABCC) ressurgiu por volta de 1970 por entusiasmo e esforço de alguns criadores da região de Poços de Calda, de Olímpia, SP e de Palmas, PR e de pesquisadores do Instituto de Zootecnia, SP que pediram o registro no Ministério. Atualmente a ABCC tem sede em Palmas, PR e atende 200 associados ativos em 13 estados diferentes com uma população de animais registrados na ordem de 85,5 mil cabeças, (o maior rebanho tropicalizado do mundo).

Utilizei a palavra ressurgiu porque a ABCC já havia sido criada e existiu até 1935 quando entrou em compasso de espera, ressurgindo por volta de 1970.

3. Quais os objetivos da Associação e os projetos em desenvolvimento?

Como é uma raça européia e com total adaptação a nossas condições, nosso grande projeto em desenvolvimento e objetivo atual é fazer o uso do Caracu para a produção de carnes especiais destinada a mercados exigentes. Mostrar aos produtores, que nas regiões do Mato Grosso, entre outras mais ao norte do país, que é possível utilizar o Caracu para produzir carnes especiais para mercados exigentes.

4. Quais as características zootécnicas atrativas da raça Caracu? E qual a característica que mais chama a atenção para estes animais?

A principal característica atrativa da raça é a sua adaptação consolidada, pois são mais de 400 anos de permanência em nosso clima, seja nas terras mais frias do sul ou nas terras mais quentes dos estados do norte.

A rusticidade adquirida ao longo dos anos proporcionou à raça menor exigência alimentar e maior resistência à parasitas, além de aumentar a longevidade dos reprodutores. Todas essas características garantem ao produtor uma significativa economia em relação à utilização de outras raças européias no cruzamento.

5. O Caracu pode ser considerado como principal raça taurina adaptada às condições brasileiras?

As outras raças taurinas não são adaptadas no Brasil e sim adaptadas a outras regiões, principalmente subtropicais.

Como dito anteriormente, o Caracu é de fato dentre todas as raças taurinas a mais adaptada. O Caracu é a raça que tem uma adaptação já comprovada. São mais de 400 anos de adaptação acrescido de um esforço dos institutos de pesquisa que há mais de 30 anos dedicam uma atenção especial na avaliação do Caracu, institutos estes como a Embrapa, nos seus diversos setores, principalmente a Embrapa Gado de Corte em Campo Grande; o IZ em Sertãozinho, SP; Iapar no PR; vem ao longo dos anos desenvolvendo o caracu com o projeto carne. Paralelamente a isso em Poços de Calda a família Carvalho Dias vem a mais de 100 anos desenvolvendo um projeto do caracu para leite, são duas coisas distintas, tem a linhagem que os institutos e outros criadores vêm desenvolvendo para carne e a linhagem que a família Carvalho Dias em Poços de Calda tem feito um trabalho extraordinário visando uma melhoria para produtividade de leite.

6. Então o Caracu não é uma raça de dupla aptidão?

Eu não responderia que é uma raça de dupla aptidão, pois nós temos uma linhagem desenvolvida em Poços de Calda pela família Carvalho Dias para leite e outra linhagem para carne, na qual os outros criadores e os institutos de pesquisa vêm ao longo destes últimos 30 anos procurando cada vez mais tornar sua carcaça de melhor qualidade, com maior rendimento através de diversas pesquisas e avaliações. A qualidade da carne, por ser um europeu é extraordinária. Temos pesquisas muito boas no que diz respeito à qualidade de carne, possui excelente maciez que é fruto da cobertura de gordura e marmoreio, sendo também uma carne muito suculenta.

7. As fêmeas Caracu entram em reprodução com que idade aproximadamente?

Nós produtores de Caracu com objetivo carne e as instituições que nos dão suporte técnico estamos conseguindo hoje entrar com as fêmeas em reprodução na faixa de 14 a 18 meses.

8. Qual o temperamento de animais da raça Caracu?

Temperamento extremamente dócil, também em decorrência da adaptação ao meio. Essa docilidade facilita o manejo do rebanho no campo.

9. Mesmo com toda sua adaptação, os animais cruzados Caracu mantém as vantagens da heterose?

A heterose com os indianos é muito forte como qualquer outro europeu cruzado com indiano. Os ganhos com decorrência da heterose são ganhos significativos a ponto de um cruzado na desmama apresentar uma diferença de peso de em torno de 1 arroba de carne ou até um ganhos acima de 30 quilos.

10. Como é o desempenho das raças no cruzamento industrial?

O desempenho no cruzamento industrial é muito bom, as fêmeas resultantes do cruzamento são fêmeas de excelente habilidade materna formando um banco reprodutivo extraordinário e os machos grandes ganhadores de peso tendo sua terminação antecipada em relação aos indianos puros.

Outro fato que demonstra sua multifuncionalidade é que ele pode ser utilizado nos cruzamentos rotacionados com fêmeas F1 (1/2 sangue) de outras raças, mantendo a heterose média. Por isso tem sido largamente utilizado na formação dos compostos adaptados.    

Diante de tantas qualidades, o Caracu desponta com força no mercado, como uma raça moderna e competitiva, indo ao encontro dos interesses do produtor que procura um gado europeu adaptado aos sistemas de produção no cruzamento industrial.

11. Há alguma questão relevante que não abordamos nas perguntas e que gostaria de comentar?

O mais importante a falar é que nós desenvolvemos um trabalho extraordinário nos últimos anos, sempre com o respaldo das 3 entidades de pesquisa citadas acima, as quais são muito fortes e nos dão segurança. Entendemos que a pecuária em função do crescimento econômico do país teve um aumento muito significativo no consumo do que nós chamamos de carne de qualidade para mercados exigentes e para este mercado estamos preparados. Temos registrado em torno de 85 mil animais e se considerar os animais não vinculados à associação passamos de 100 mil, o que é um estoque genético bastante significativo a ser aproveitado com o objetivo de carne de qualidade para mercados exigentes.

Respondendo as perguntas Ernesto Stein Carvalho Dias, criador:

12. O Caracu pode ser selecionado para produção de leite? Fale um pouco sobre o desempenho do Caracu na pecuária leiteira.

Minha família vem trabalhando a raça Caracu desde os primórdios do século passado, pensando em construir uma raça que tenha uma produção leiteira razoável em torno de 2800 a 3000 kgs por lactação, em manejo de pastagem e que ainda tenha uma boa aptidão para a produção de carne e alta fertilidade. Com todas as reviravoltas sentidas pelos agropecuaristas ao longo de tantos planos de governo, nós ainda persistimos neste ideal, e hoje, contamos com uma produção média de cerca de 7 kg de leite/dia.

Sobre a seleção para produção de leite a nossa opinião é que pode ser selecionado, pois o que define a capacidade de resposta a um plano de melhoramento de uma raça é justamente a variabilidade do caractere em questão. Neste caso, nós possuímos animais que se destacam bastante da média do rebanho, confirmando assim o nosso ideário. Outros parâmetros que pesam são a altas taxas de proteína e gordura no leite produzido pelo gado Caracu.

13. É vantajosa a utilização de touros Caracu em propriedades de produção de leite para cruzamento com outras raças leiteiras?

A possibilidade de se utilizar o touro Caracu em outras raças de produção leiteira depende muito do manejo a ser adotado e do grau de raça do rebanho. Com um gado Girolando com certeza vai se obter bons resultados.

14. Há alguma questão relevante que não abordamos nas perguntas e que gostaria de comentar?

O nosso mercado de matrizes tem sido firme, tanto para o grande pecuarista que tem por objetivo melhorar a habilidade materna de seu rebanho (caso de cruzamentos industriais) como também para criadores que tem na exploração leiteira em manejo extensivo a sua fonte de renda.
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