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Artigos: Ensilabilidade das plantas forrageiras
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Autor: IEPEC

Ensilabilidade das plantas forrageiras e qualidade do volumoso conservado

Autor: Clóves Cabreira Jobim.

Para bem entender o assunto temos que responder a pergunta: O que vem a ser ensilabilidade das plantas forrageiras? A resposta é simples. Ensilabilidade é a adequação da forragem a conservação na forma de silagem. Para que uma forrageira tenha um bom padrão de fermentação no silo, além dos fatores ligados a tecnologia de ensilagem, são também de grande importância alguns fatores ligados a planta. Dentre eles são destacados três que tem grande influência na qualidade de fermentação da massa ensilada. O teor de matéria seca, a concentração de açúcares solúveis em água e a capacidade tampão determinam em grande parte a qualidade de fermentação no silo, e por conseqüência a ensilabilidade. Quando uma planta forrageira apresenta os três fatores adequados é então classificada como de alta ensilabilidade, caso contrário tem baixa ensilabilidade e cuidados especiais terão que ser tomados para que a silagem tenha boa conservação. Como plantas de alta ensilabilidade destacam-se o milho e o sorgo, e como de baixa ensilabilidade a alfafa e leguminosas de uma maneira geral (Tabela).

Ensilabilidade de plantas forrageiras.
Forrageira Carboidratos Solúveis Capacidade Tampão Teor de MS Ensilabilidade
Milho Alto Baixa Bom Ótima
Sorgo Bom Baixa Bom Boa
Capins Médio Alta Baixo Média
Alfafa Baixo Alta Baixo Ruim
Jobim (2007)

O teor de matéria seca adequado para boa fermentação da forragem no silo está entre 28 a 40%. Valores abaixo de 28% de MS favorecem as perdas por efluentes, além de favorecer a atuação de microrganismos indesejáveis na massa ensilada. Já quando a forragem está com teor de MS acima de 40% os problemas são relacionados a baixa compactação, ocasionando uma série de fenômenos indesejáveis ocasionados pela entrada de ar no silo. Nesta situação, haverá oportunidade para os microrganismos aeróbios e anaeróbios facultativos se desenvolverem, com grandes prejuízos para a qualidade da silagem.

Fonte: IEPEC
A quantidade de açúcares solúveis em água, presentes na planta, também descritos como carboidratos solúveis ou açúcares fermentescíveis, são de fundamental importância para a boa qualidade de fermentação da forragem ensilada. Isso porque são estes açucares que serão utilizados como substrato para as bactérias fermentarem produzindo ácidos orgânicos, principalmente ácido lático, que ocasionarão a acidificação do meio e, conseqüente conservação da forragem ensilada. Plantas que apresentam baixo teor de açúcares solúveis, como por exemplo, as leguminosas, certamente terão qualidade de fermentação inadequada e invariavelmente podem exigir o uso de aditivos.

A capacidade tampão (CT) nada mais é do que a resistência que a massa de forragem apresenta ao abaixamento do pH. A CT, também descrita como poder tampão, depende basicamente da composição da planta no que se refere ao teor de proteína bruta, íons inorgânicos (Ca, K, Na) e presença de ácidos orgânicos como fosfórico, málico, cítrico, glicérico, entre outros. Quando a planta apresenta uma alta CT a velocidade de abaixamento do pH é lenta e em conseqüência as perdas no processo de ensilagem são maiores, reduzindo a qualidade da silagem.

Qualidade da silagem

A qualidade da silagem em qualquer sistema de produção (leite ou carne) deve ser meta prioritária para eficiência na exploração. Em primeiro lugar é preciso conceituar o termo “qualidade de silagem” como sendo a resposta do animal ao volumoso. Ou seja, a qualidade de uma silagem deve ser medida pelo desempenho do animal que está consumindo este volumoso. Invariavelmente emprega-se o termo qualidade de silagem para definir o padrão de fermentação e a qualidade de conservação do material no silo.

O princípio básico para obter-se uma silagem de alta qualidade é utilizar uma forrageira de bom valor nutritivo e empregar tecnologia própria em todas as fases do processo de ensilagem. Cabe lembrar que se pode obter uma silagem de baixa qualidade de uma forrageira de alta qualidade se a tecnologia empregada não for adequada. Da mesma forma, jamais será obtido uma silagem de alta qualidade a partir de uma forrageira de baixa qualidade. Nesse contexto, é importante destacar as alterações que podem ocorrer na qualidade da forragem em função do processo de ensilagem.

No caso da silagem as alterações, durante a armazenagem e utilização, podem ser altamente relevantes, influenciando o valor alimentício do volumoso. Por exemplo, em caso de fermentação indesejável, poderá resultar em uma silagem com alto teor de produtos inibidores de consumo, como o álcool, amônia e ácido acético. Dessa forma, além das perdas no valor nutritivo (perdas de nutrientes) haverá grandes prejuízos em razão do baixo consumo animal.

Fonte: IEPEC
Como no processo de ensilagem as principais perdas são de conteúdo celular, em situações inadequadas poderá haver aumento significativo da fração fibra da forragem. Sabe-se que dietas com alto teor de fibra não fornecem energia suficiente para altas produções de leite, comprometendo o potencial genético das vacas. Esta pode ser uma situação facilmente encontrada quando da administração de silagem de capim de baixa qualidade ou mesmo silagem de milho com baixo teor de grãos. Dessa forma, o balanceamento da ração com dados de tabela e não reais pode comprometer o desempenho de vacas de alta produção ou mesmo de bovinos de corte confinados. No caso de silagens com alta fração fibrosa a densidade energética poderia ser aumentada com silagem de grãos de milho, elevando os níveis de carboidratos não fibrosos (CNF). Por outro lado, deve-se tomar cuidado, pois a fração FDN do concentrado é pouco efetiva em manter a função ruminal.

Silagens de baixa qualidade (fermentações indesejáveis e/ou baixo valor nutritivo) podem reduzir o consumo de volumoso. Neste contexto é importante levar o produtor a um raciocínio simples, onde o conceito de valor alimentício (VA) é empregado como sendo: VA= Valor Nutritivo (composição química) x Ingestão. O entendimento desse conceito pode trazer grandes benefícios, pois para maior eficiência o produtor deverá aplicar conhecimentos de tratos culturais e tecnologia de ensilagem.

Portanto, não esqueça que a qualidade da silagem tem relação direta com o consumo animal e, em conseqüência, é um dos principais fatores  determinantes da eficiência de produção de carne ou leite. Tenha em mente que a qualidade da silagem começa com a escolha da cultura a ser ensilada, passa pelos cuidados na lavoura e na produção da silagem, e termina com o desempenho do animal que a está consumindo.

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Comentários
1 Mané em 03/08/09 - 10:15 Citar
Importante o conhecimento da quantidade de carbohidratos nas plantas ensiladas, pois dela conseguimos a boa e a má fermentação da silagem.(ingestão)poderemos inocular ou não.
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