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Notícias: Investigação de Dumping no leite
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Fonte: Milknet

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Com um saldo da balança comercial de lácteos negativo em US$ 85,8 milhões no primeiro semestre de 2010, os produtores rurais propõem medidas que inibam as importações. Uma das solicitações ao governo federal é investigar a existência de dumping nas compras de leite em pó dos Estados Unidos.

Ao participar, em 1° de setembro, do Fórum Canal Rural Tendências e Desafios no Agronegócio do Leite, na Expointer 2010, em Esteio (RS), o presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rodrigo Alvim, mostrou-se preocupado especialmente com o ingresso de leite em pó, além de leite UHT uruguaio e soro de leite dos Estados Unidos.

O produto do Uruguai pressiona para baixo os preços pagos ao produtor na Região Sul. Somente em junho, o país vizinho enviou 1,136 mil litros de leite UHT para Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, ao preço médio de R$ 1,07, o litro. Já os Estados Unidos chegaram a exportar leite em pó a US$ 2,6 mil, a tonelada, em julho, enquanto o preço internacional de mercado é em torno de US$ 3 mil, a tonelada. "Isso significa importar a um preço menor do que o custo de produção", disse Alvim. Para o dirigente, é hora de o governo brasileiro iniciar uma investigação para verificar a presença ou não da prática de concorrência desleal.

Desde o início do ano, o maior aumento de importações de lácteos se deu em soro de leite. A quantidade comprada do Exterior pelo Brasil passou de 1,548 mil toneladas para 4,444 mil, um aumento de 187%. "Por que está sendo importado soro de leite nesta quantidade, à medida que nos últimos três anos várias torres de leite em pó foram construídas no país?", questiona Alvim. O dirigente, no entanto, lembra que a principal causa da explosão das importações de lácteos está na política cambial, que retira competitividade do Brasil. Em sua avaliação, o real está sobrevalorizado.

O resultado desse descompasso também se reflete no preço do leite ao produtor. Em agosto, o valor médio do litro no país ficou em R$ 0,68, abaixo dos verificados no mesmo mês em 2007, 2008 e 2009. Em maio deste ano, o litro chegou a valer R$ 0,75.

PRODUÇÃO SOBE EM 2010 MESMO COM PREÇO EM QUEDA

A produção brasileira de leite deve crescer em 2010 apesar de os preços pagos ao produtor apresentarem queda desde maio, em pleno período de entressafra. A oferta se mantém em alta porque os investimentos feitos no primeiro semestre, quando a indústria se abasteceu mais cedo, estimularam os produtores a aumentar a captação do produto.

"Quando traçamos o cenário para o ano não tínhamos ideia de que o preço do leite cairia tanto", disse Rodrigo Alvim, presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil.

Segundo ele, o setor mantém a previsão de crescimento de 5% para 2010, mesmo apesar do preço mais baixo. Edson Alves Novaes, gerente de Estudo Técnicos e Econômicos da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), conta que o preço ao produtor caiu 13% desde o início de 2010, enquanto no varejo a queda foi menor: 6%.

"O problema é que, mesmo com os preços mais baixos, a captação de leite não diminuiu", afirmou.

De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a produção nacional acumulou aumento de 5,2% de janeiro a julho no país, de acordo com seu Índice de Captação de Leite (ICAP-Leite). Apenas em julho a oferta aumentou 5,44% na comparação com junho.

O Cepea calculou que o preço médio recebido pelos produtores em agosto (que remunera a produção de julho) foi de R$ 0,6918/litro, recuo de 4,5% ante julho. Na comparação com a média nominal de agosto de 2009, o recuo nos preços foi de 10,7%. O Cepea considera a média ponderada em sete Estados produtores de leite – Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Bahia.

Em São Paulo, levantamento da Scot Consultoria indica que a queda no preço do leite pago ao produtor não chegou a 1% no pagamento de agosto. O produtor recebeu, em média, R$0,759/litro, 9% acima da média nacional. No mercado spot paulista o valor foi de R$ 0,73/litro. De acordo com a Faeg, em Goiás, houve redução de 4,9% (3,5 centavos por litro), indo para R$ 0,6790/litro (bruto). O Cepea aponta que, em Goiás, houve redução de 4,9% (3,5 centavos por litro), indo para R$ 0,6790/litro (bruto).

Análises do Cepea e da Scot Consultoria mostram que, nos meses à frente, a previsão de clima mais seco pode restringir a oferta de leite e os preços devem voltar a ter sustentação.

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