Gado leiteiro - O papel do cromo na nutrição de bovinos
Artigos: O papel do cromo na nutrição de bovinos
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Autor: Prof. Dr. Antonio Ferriani Branco

O cromo é considerado essencial para humanos e animais há mais de 40 anos. O cromo é encontrado na natureza principalmente na forma trivalente. A concentração máxima tolerável de cromo na dieta dos animais é de 3000 ppm para os óxidos e 1000 ppm para os cloretos.

O cromo é importante para a atividade de enzimas, a estabilidade de proteínas, e o metabolismo de carboidratos. No entanto, o principal papel do cromo é potencializar a interação entre a insulina e receptores celulares, através da formação do fator de tolerância à glicose. O fator de tolerância à glicose estimula a ação da insulina e potencializa a entrada de glicose para dentro da célula (Figura 1).

Fonte: IEPEC

Na etapa 1 a insulina se liga ao receptor e produz a ativação. Na etapa 2 ocorre a ativação do receptor de insulina que estimula a entrada de cromo para dentro da célula. Na etapa 3 o cromo se liga ao peptídeo Apo-LC conhecido como Substância de Baixo Peso Molecular Ligadora de Cromo. Na etapa 4 a Apo-LC se liga ao receptor de insulina e melhora a atividade do mesmo. Esta energia adicional produzida pela maior quantidade de glicose que entra na célula será utilizada para manutenção celular, síntese de novas proteínas, crescimento muscular, e melhoria na reprodução.

A absorção de cromo ocorre principalmente no intestino delgado, e as formas inorgânicas (cloreto e óxido) têm baixa absorção (0,4 – 3%, Anderson, 1987). As formas orgânicas de cromo têm maior absorção (Olin et al., 1994; Anderson et al., 1996), e atualmente há 6 formas orgânicas utilizadas na alimentação animal. São elas: cromo-aminoácido, cromo-picolinato, cromo-nicotinato, cromo-quelato, cromo-proteína e cromo-levedura.

O fornecimento suplementar de cromo tem se mostrado muito positivo principalmente em situações de estresse. Em ruminantes o estresse aumenta os níveis sanguíneos de cortisol (Bunting, 1999). O cortisol atua de forma antagônica à insulina, reduz a síntese de proteína (Reilly e Black, 1973), é imunodepressor (Munck et al.,1984) e reduz a absorção de glicose pelos tecidos periféricos (Burton, 1995),

Os resultados obtidos pela pesquisa têm mostrado que a suplementação com cromo melhora a resposta imunológica de animais confinados, com redução nos níveis de cortisol e aumento na produção de imunoglobulinas (Chang e Mowat, 1992; Almeida e Barajas, 1999; Almeida e Barajas, 2002), melhora a resposta vacinal (Burton et al., 1994) e diminui a morbidade em bezerros e novilhos (Mowat et al., 1993).

Em vacas leiteiras, a suplementação com cromo reduz a concentração de ácidos graxos não esterificados no sangue (Yang et al., 1996; Hayirli et al., 2001; Bryan et al., 2003), e a ingestão de alimentos e produção de leite (Besong et al.,2001; Hayirli et al., 2001; Smith et al., 2002). Villalobos et al. (1997) e Bunting (1999) verificaram queda nos índices de retenção de placenta em vacas que receberam suplementação com 9 semanas antes do parto.

Na tabela 1 são mostradas as concentrações de cromo em alguns alimentos utilizados na alimentação de ruminantes.

Fonte: IEPEC

Apesar da necessidade de mais pesquisas na área podemos concluir que naqueles períodos do ano em que os animais são expostos à maior estresse e para aquelas categorias que também enfrentam alto nível de estresse, como animais recém desmamados, a suplementação com cromo pode melhorar as condições orgânicas do animal e com isto melhorar a produção. Produtos com concentrações de cromo entre 10 e 20 mg/kg normalmente são suficientes para atingir bons níveis de suplementação do elemento.

Literatura Citada

  • Almeida, L., Barajas, R. J. Anim. Sci., 77 (Suppl. 1): 218 (Abstract), 1999.
  • Almeida, L., Barajas, R. J. Anim. Sci., 80 (Suppl. 1): 363 (Abstract), 2002.
  • Anderson et al. J. Trace Elem. Exp. Med., 9:11, 1996.
  • Anderson, R.A. In: Mertz, W. (Ed.) Trace Elements in Human and Animal Nutrition (5th Ed.), 1987.
  • Besong, S. et al. J. Dairy Sci., 84: 1679, 2001.
  • Bryan et al. J. Dairy Sci., 86 (Suppl. 1), 2003.
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  • Burton, J.L. Anim. Feed Sci. and Tech., 53:117, 1994.
  • Chang, X., Mowat, D.N. J. Anim. Sci., 70:559, 1992.
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  • Munck et al. Endocrinol. Rev., 5:25, 1984.
  • Olin et al. Trace Elem. And Electrolytes, 11:182, 1994.
  • Reilly, P.E.B., Black, A.L. Am. J. Physiol. 225:689, 1973.
  • Smith et al. J. Dairy Sci., 85 (Suppl. 1): 23 (Abstract), 2002.
  • Villalobos et al. Can. J. Dairy Sci., 77:329, 1997.
  • Vincent, J.B. Nutr. Rev., 58:67, 2000.
  • Yang et al. Can. J. Anim. Sci., 76:221, 1996.
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Comentários
1 Bensimon em 04/10/11 - 15:13 Citar
Artigo muito claro e esclarecedor sobre o cromo no metabolismo do ruminantes.
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