O projeto “Balde Cheio”, da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos, SP), poderá ter dois novos importantes parceiros: o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (que administra o programa “Fome Zero”) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário.
Técnicos dos dois ministérios assistiram, em Brasília/DF, a uma exposição detalhada do projeto, com a presença do ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, que demonstrou grande interesse pelo trabalho; do presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Pedro Arraes; e do chefe geral da Embrapa Pecuária Sudeste, Maurício Mello de Alencar.
O coordenador do trabalho, pesquisador Artur Chinelato de Camargo, expôs os métodos e técnicas inovadores e originais, desse projeto de transferência de tecnologia, dirigido principalmente para pequenos produtores de leite. Na ocasião foi exibida uma matéria com 22 minutos, levada ao ar pelo Globo Rural, no ano passado.
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Fonte: Divulgação
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Como funciona
O projeto “Balde Cheio” demonstrou a viabilidade técnica e econômica da propriedade familiar para a produção de leite. Alguns de seus resultados são a obtenção de lucro nesse tipo de propriedade antes deficitária, o aumento da renda do pequeno produtor, a redução do êxodo rural e o aumento da produção de leite, por hectare / ano, de até 12 a 15 vezes (ou seja, de 1.100% a 1.400%). Tudo isso com metodologia inovadora, que supera muitos dos problemas normalmente enfrentados pela transferência de tecnologia da pesquisa para o campo.
As propriedades assistidas pelo projeto possuem, em sua maioria, de meio hectare a 20 hectares. A tecnificação e o bom gerenciamento permitem que esses produtores familiares multipliquem sua renda, renda essa que, em alguns casos, era, antes de aderirem ao projeto, inferior a um salário mínimo.
Cerca de 90% dos produtores assistidos pela Embrapa Pecuária Sudeste conseguia produção diária inferior a 80 litros no início dos trabalhos. Após a sua incorporação ao projeto, passaram a obter de 300 litros a mil litros / dia. Mas o indicador mais importante na atividade, que é a produção de leite por hectare / ano, foi elevada de 12 a 15 vezes.
O projeto apresenta várias inovações, com destaque para duas delas: 1) os trabalhos são dirigidos tanto a técnicos da extensão rural - treinados pelos pesquisadores da Embrapa - como a produtores e em todas as etapas é obrigatória a participação de um parceiro da extensão rural, pública ou privada; 2) a transformação das propriedades em “salas de aula”, pois é lá que ocorrem todos os encontros, palestras e dias-de-campo. Ao invés de dias de campo esporádicos ou palestras em ambientes fechados, os encontros nessas “salas de aula” são permanentes e essa propriedade é assistida durante um período de quatro anos, ficando depois totalmente independente. O sítio fica sob monitoramento permanente de um técnico da extensão rural, com visitas periódicas do pessoal da Embrapa e é aberto a visitações.
Os pecuaristas assistidos são pequenos produtores que estavam a ponto de abandonar a atividade e que hoje estão numa situação confortável. “Ninguém vai ficar rico com pequena produção de leite, mas o pequeno produtor pode multiplicar a sua renda, investir em tecnologia e gerência, viver dignamente e com conforto”, afirma Artur Chinelato de Camargo.