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Entrevistas: Reprodução de Ovinos e Bovinos com o Dr. Júlio Barbosa
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Fonte: IEPEC

Fonte: Embryo Sys
O IEPEC - Instituto de Estudos Pecuários tem o prazer de entrevistar o Dr. Júlio César Barbosa da Silva, Médico Veterinário da Embryo Sys, empresa comprometida com a evolução da Reprodução Animal.

1) Há quanto tempo atua na área de reprodução de bovinos e ovinos?

Trabalho com reprodução de bovinos desde 1987, quando ingressei na Lagoa da Serra. São vinte e dois anos dedicados ao trabalho com vacas e novilhas.

Em ovinos trabalho com ultra-sonografia desde 1995 e com IA, Coleta e TE há cinco anos.

Na FIV de ovinos iniciei em abril de 2006, em uma ação conjunta da In Vitro Brasil, empresa especializada em PIVE de bovinos e ovinos e Unifeob (S. J. da Boa Vista/SP). Eu e mais nove veterinários tivemos o privilégio de passar uma semana com o Dr. Hernan Baldassare, que é, sem dúvida, uma das pessoas mais respeitadas no mundo, nessa área.   
 
2) Foi integrante da primeira equipe comercial de PIVE no Brasil. Conte-nos a respeito desta experiência.

Foram muitos desafios no início. Eu fazia parte do corpo técnico da Gertec Embriões, cujo responsável era o Dr. Carlos F. Marins Rodrigues. Aspirávamos doadoras das raças Nelore, Simental, Charolês e outras. O trabalho era realizado na Beabisa Agricultura (Pitangueiras/SP) e os oócitos levados para o Laboratório de reprodução situado no campus da Unesp (Jaboticabal/SP). O responsável pelo laboratório era o professor Joaquim Mansano Garcia.

Na mesma propriedade onde aspirávamos as doadoras, implantávamos a maioria dos embriões produzidos.

Os índices de produção de embriões e de receptoras prenhes oscilava muito e frequentemente havia problemas de partos pelo tamanho exagerado de alguns bezerros, fato que foi corrigido posteriormente.

3) Desenvolveu uma pesquisa a respeito da produção de embriões ovinos da raça Santa Inês e o efeito do grau de qualidade dos embriões na taxa de concepção de receptoras, quais foram os resultados obtidos?

O primeiro fato que nos surpreendeu foi a taxa de 5,73 embriões viáveis por colheita utilizando sêmen congelado. Essa iniciativa em projetos comerciais é um desafio e uma necessidade. Com relação aos embriões produzidos, o resultado foi o esperado; os embriões de melhor qualidade (grau 1) tiveram aproveitamento de 62,4%, os grau 2 de 43,24% e ,finalmente, os embriões de qualidade inferior (grau 3) tiveram uma taxa de 22,22% de prenhez. Foi um comportamento semelhante ao observado em bovinos.

4) Foi um dos responsáveis pela sexagem das primeiras receptoras a serem vendidas prenhes de fêmea, da raça Nelore no Brasil?

Nosso aprendizado de ultra-sonografia teve origem na Alta Genetics em Calgary, estado de Alberta no Canadá, em 1991.

Assim que retornamos ao Brasil, iniciamos os trabalhos focando diagnóstico precoce da gestação, sexagem fetal, distúrbios ovarianos e uterinos além de tentar reconhecer as fases do ciclo estral através das imagens. Nos primeiros cem produtos nascidos tivemos três sexos trocados. Corrigimos a técnica e o problema não mais ocorreu.

As primeiras receptoras sexadas, da raça nelore, no Brasil, foram comercializadas na edição número um do leilão Reserva Especial, no ano de 1994, em Uberaba/MG, durante a Expozebu. Fomos os responsáveis por esse trabalho.

5) O que seria o uso racional de sêmen?

Foi uma idéia que surgiu a partir da conversa com o Dr. Valter Pinto, médico especialista em reprodução humana, em 2002. A técnica consiste em diluir o sêmen e depositá-lo por via intracornual profunda, próximo do momento da ovulação, se possível monitorando a dinâmica folicular, através do ultra-som. Após a diluição o sêmen é reínvasado em palhetas de 0,25 ou 0,5cc. Sabemos que uma dose de sêmen sexado, congelado com três milhões de espermatozóides é capaz de emprenhar vacas e novilhas, mesmo com 50% de motilidade.No sêmen convencional estamos falando de palhetas com 12 a 15 milhões, em médias de espermatozóides viáveis pós-descongelação.

6) Foi um dos responsáveis pela introdução da ultra-sonografia aplicada à reprodução de bovinos, comercialmente, no Brasil?

Juntamente com o Dr. Carlos F. Marins Rodrigues, da Gertec Embriões, iniciamos esse trabalho. Aproveitando o conhecimento obtido no Canadá, obtínhamos imagens, imprimíamos e discutíamos sobre elas. Publicamos trabalhos sobre diagnóstico precoce da gestação e sexagem fetal na raça nelore nos anais da SBTE de 1994, que foi realizada em Campinas/SP.

7) Comente a respeito da técnica de criopreservação de embriões de ovinos.

Ela é semelhante à técnica utilizada em bovinos. O crioprotetor preferido é o Etilenoglicol  1,5 molar, mas pode-se utilizar o Glicerol na concentração de  10%. A curva vai de -6,0 a -32,0º Celsius na velocidade de 0,5º grau por minuto. Em seguida as palhetas contendo 1 a 4 embriões são imersas em nitrogênio líquido.  

Fonte: Embryo Sys
8) Ajudou no desenvolvimento de um software para controle da reprodução bovina. Quais os benefícios que este software pode trazer ao produtor?

O software é específico para a reprodução. Nossa idéia é que o veterinário digite as informações e compartilhe o banco de dados com seus clientes que podem tirar vários relatórios, facilmente, acionando os filtros. Em nosso sistema todo campo é um filtro. O produtor pode, dessa forma, acompanhar os índices reprodutivos da inseminação artificial, colheita dos embriões, FIV, IATF, etc.

9) Está desenvolvendo ou já desenvolveu algum trabalho sobre bipartição de embriões bovinos e ovinos através da micromanipulação?

Fomos responsáveis pelo nascimento dos dois primeiros borregos, no Brasil, oriundos do mesmo embrião, em outubro de 2007. Não utilizamos a técnica em larga escala por ser uma operação muito minuciosa e requerer uma mão-de-obra específica. O Dr. Wagner Kodato Okabe, que integra nossa equipe, é o responsável pela bipartição. Ele tem cada vez menos tempo pela crescente demanda que estamos tendo ovinos. Temos interesse, inclusive, em treinar profissionais que tenham interesse e que possam ser remunerados pelo valor que agregarem com a utilização desta refinada técnica. 

10) Há alguma questão relevante que não abordamos nas perguntas e que gostaria de comentar?

Acho que o maior desafio, atualmente, é melhorar o aproveitamento do sêmen congelado de ovinos e utilizá-lo de forma mais freqüente e intensa nos programas reprodutivos. Já evoluímos nos últimos três anos, mas precisamos conseguir melhores resultados, como acontece com os bovinos.
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