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Notícias: RS: Cadeia produtiva do leite, Vale dá exemplo para o país
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Fonte: Milknet

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Vale do Taquari - A região deu mais um importante passo em busca da organização e qualificação da cadeia produtiva do leite. Durante um seminário regional promovido durante todo o dia de ontem, na Univates, foi lançado o Programa de Desenvolvimento do Agronegócio do Vale do Taquari e de outras regiões, que assume a configuração, compromissos, formalizações e ações já realizadas para o setor até aqui, e passa a incorporar o Programa Repensando o Agro.

O principal mote da iniciativa, segundo o presidente da Câmara da Indústria, Comércio e Serviços Vale do Taquari (CIC/VT), Oreno Ardêmio Heineck, é transformar o leite em uma ferramenta para a inclusão social das famílias produtoras.
Para viabilizar esse e outros objetivos foi lançado simultaneamente o Projeto Vale dos Lácteos, que tem por base a Carta da Galícia 2010, e discutido um Plano de Sanidade para a região e o Estado. “Sentimos uma receptividade muito positiva para essas ações.

Ouvimos várias manifestações favoráveis que sinalizam que devemos continuar”, destaca. Heineck enfatiza que a busca pela organização e qualificação deve-se, principalmente, às exigências do mercado. “O consumidor vai excluir o leite que não tem qualidade. Hoje isso já acontece com o frango. Para sobreviver, a indústria vai apenas comprar de quem tiver um bom produto. E o produtor que não tiver capital vai quebrar. Por isso, a preocupação com a organização, qualidade, preço e a inclusão social”, justifica.

O presidente da CIC/VT emenda que a região conta com excelentes produtores. Porém, eles ainda são minoria. “Queremos organizar toda a cadeia do leite, desde o trabalho na propriedade, passando pelo transporte até a venda para a indústria.” As ações executadas e o trabalho que está por vir para garantir a qualidade do produto e a sanidade bovina, conforme Heineck, já são considerados modelo no país. “Temos um trabalho coletivo e que caminha para tornar a nossa cadeia ainda mais competitiva”, acredita.

O seminário de ontem foi promovido pelas associações dos Municípios do Vale do Taquari (Amvat) e dos Secretários Municipais de Agricultura do Vale do Taquari (Asamvat), Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat) e Univates.

O que quer o programa

- Transferência de tecnologia da Galícia para beneficiar toda a cadeia (do produtor à agroindústria)
- Certificação de etapas do processo produtivo
- Trabalhar sanidade, nutrição/manejo, melhoramento genético e controle leiteiro
- Profissionalização do produtor rural
- Organização do setor e padronização de procedimentos
- Desenvolvimento de novos produtos lácteos e agregação de valor
- Proporcionar visibilidade e expansão do programa
- Discutir políticas públicas com a organização e qualificação da cadeia produtiva do leite

Vale dos Lácteos

Os principais pontos do Projeto Vale dos Lácteos são baseados na Carta da Galícia 2010, que foi formatada a partir da viagem de uma comitiva da região à Espanha, em março deste ano. Diferentes áreas devem ser trabalhadas pela iniciativa, como sanidade, manejo da propriedade rural, genética, políticas públicas municipais e indústrias de laticínios.

Após o lançamento ontem, o grupo gestor irá promover reuniões de sensibilização e esclarecimentos com as comunidades. Os encontros estão previstos para ocorrer até o final do ano. “Vamos fazer uma peregrinação para motivar a participação, especialmente dos produtores”, avisa o presidente da CIC/VT. até março do ano que vem devem ocorrer as adesões iniciais ao Vale dos Lácteos. Para reforçar a parceria com a Galícia e reforçar o que já está sendo colocado em prática na região, uma comitiva deve retornar à Espanha. A viagem, conforme Heineck, está prevista para maio de 2011.

Entre as ações para o ano que vem, o projeto prevê ainda implantação do selo de qualidade “Novilha do Vale” e do selo de qualidade por produto, de acordo com regulamentação própria e legislação vigente.

Em três anos, a meta é ter saneamento oficial das propriedades rurais que entregam leite a indústrias de laticínios vinculadas ao programa. O saneamento oficial quanto à tuberculose e brucelose bovinas nos 36 municípios que integram o Codevat deve estar concluído em 2016. A expectativa é de que até 2020, o projeto atinja a produção média de 26 litros de leite/dia no Vale do Taquari. Até o mesmo ano, acrescenta o presidente da CIC/VT, devem ser instaladas centrais de geração de embriões e de genética no Vale do Taquari.

Brucelose e tuberculose bovinas

Projeto regional: exemplo ao país

Preocupado com o resultado de um teste realizado em seu rebanho, que revelou que 60% dos bovinos apresentavam tuberculose, um produtor de Arroio do Meio bateu à porta do Ministério Público, em 2008. O abate dos animais contaminados era inevitável, para não comprometer a produção nem provocar risco de morte para sua família e à comunidade, já que a doença também é transmitida para humanos. Ele estava disposto a se endividar para repor as cabeças sacrificadas, entretanto, temia que o rebanho vizinho também estivesse contaminado, o que poderia provocar um novo surto e, desta vez, a sua falência.

Mal sabia o criador que, a partir do seu pedido de socorro, ele não só seria auxiliado no combate à enfermidade como também a região se tornaria um modelo a ser seguido nacionalmente no controle e erradicação da brucelose e tuberculose bovinas.

Dois anos depois de seu início, a iniciativa parece ter alcançado o objetivo de varrer a contaminação, a fim de qualificar a cadeira leiteira e alavancar as vendas nos mercados nacional e internacional. Até o momento, 85% das mais de 34 mil cabeças de gado dos seis municípios da Comarca de Arroio do Meio - que abrange ainda os municípios de Capitão, Coqueiro Baixo, Nova Bréscia, Pouso Novo e Travesseiro - já passaram pelos primeiros testes. O índice de prevalência da doença atingiu 0,6%, abaixo dos 2% estimados.

Em consequência dos bons resultados na sanidade do rebanho, o programa deve ser ampliado, gradativamente, para todo o Estado e país. É o que foi adiantado ontem, em evento ocorrido na Univates, que contou com a participação de representantes de instituições parceiras no programa, como o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Agronegócio (Seappa), Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária do Estado do Rio Grande do Sul (Fundesa), Ministério Público Estadual e do centro universitário.

Profissional

A maior dificuldade para promover a sanidade do rebanho em outros municípios será o material humano. De acordo com a representante da Seappa, Ana Cláudia Gross, não há veterinários em número suficiente para a colocação em todas as cidades gaúchas: “Não podemos dar um passo maior que a perna, entretanto isso é imprescindível para incentivar a exportação”. O reposicionamento da cadeia leiteira depende de futuras reuniões, a fim de definir as atribuições de cada participante e avaliar os principais obstáculos no projeto piloto.

Vantagens

As propriedades fiscalizadas pelo projeto receberão o certificado de livres de tuberculose e brucelose bovinas, que traz inúmeras vantagens aos produtores rurais, entre elas:
- Fim da exigência de testes para trânsito interestadual
- Livre participação do rebanho em eventos
- Maior credibilidade para o comércio
- Mais segurança contra causas trabalhistas, uma vez que não será preciso pagar insalubridade ao ordenhador
- Acesso facilitado ao mercado externo
- Agilidade na tramitação dos processos de indenização dos animais eventualmente descartados.

O que dizem as autoridades

“Muitos perguntam o que o Ministério Público tem a ver com o controle da tuberculose e da brucelose bovinas. Entretanto, em cidade do interior, muitos problemas da comunidade se resolvem na Promotoria. A maior dificuldade na erradicação é a questão econômica, já que os produtores não querem sacrificar os animais contaminados. Com o empenho de todos os envolvidos, conseguimos livrar Arroio do Meio das doenças. Agora precisamos expandir isso para todo o Estado.”

Paulo Estevam Araujo, promotor de Justiça de Arroio do Meio

“Temos a missão de promover a sanidade do rebanho bovino gaúcho e de zelar pela saúde pública. Precisamos seguir a iniciativa inovadora do projeto piloto e unir esforços em prol de uma causa comum, que é a de certificar os municípios como livres da tuberculose e brucelose bovinas. Hoje esse é um dos maiores patrimônios do Vale do Taquari, e o Estado se sente feliz por, de alguma forma, ter contribuído para isso. Nossa maior dificuldade para a expansão do programa é a de falta de veterinários para a atuação nos municípios gaúchos.”

Ana Cláudia Gross, representante da Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Agronegócio

“A comunidade regional uniu esforços e hoje colhe resultados positivos. Agora é preciso dar continuidade a esse projeto inovador, estabelecendo um plano de ação e atribuições para cada participante. As outras regiões do Estado estão atentas para o que acontece aqui. Mas, antes da expansão, temos que discutir sobre as dificuldades encontradas até aqui, a fim de amenizá-las daqui em diante.”

Rogério Kerber, presidente do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária do Rio Grande do Sul (Fundesa)

“Em um futuro próximo, os bancos exigirão dos produtores o certificado de propriedade livre de tuberculose e brucelose para os financiamentos como uma garantia de aproveitamento dos recursos. Essa também será uma exigência para programas governamentais, como Merenda Escolar e Fome Zero. Por isso, o projeto de Arroio do Meio serve de exemplo a todo o país.”

José Ricardo Lobo, representante do Ministério da Agricultura

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